Máquinas ancestrais da encruzilhada: povo da rua como alternativa à sociedade manicomial
Conteúdo do artigo principal
Resumo
O presente artigo passeia entre dois itinerários aparentemente inconciliáveis: a psicanálise lacaniana e a esquizoanálise. Há, aqui, dois momentos: no primeiro, concentro-me em meu encontro com a poética dos falatórios de Stella do Patrocínio e em como sou tocado por sua história pessoal, dialogando com a aplicação clínica do pensamento de Deleuze e Guattari; em um segundo momento, conto sobre meu encontro com a Pombagira Dama da Noite, me remetendo ao conto homônimo de Caio Fernando Abreu e a alguns conceitos utilizados por Lacan em seu Seminário 10. Entre possibilidades de convergência, a expectativa é pensar em como esquizoanálise e psicanálise lacaniana podem contribuir para a construção de uma poética antimanicomial.
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Nota de Direitos Autorais
O autor do artigo ou resenha submetido e aprovado para publicação autoriza os editores a reproduzi-lo e publicá-lo na a revista O que nos faz pensar, entendendo-se os termos "reprodução" e "publicação" conforme a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional. O artigo ou resenha poderá ser acessado tanto pela rede mundial de computadores (WWW – Internet), como pela versão impressa, sendo permitidas, a título gratuito, a consulta e a reprodução do texto para uso próprio de quem a consulta. Essa autorização de publicação não tem limitação de tempo, ficando os editores da revista O que nos faz pensar responsável pela manutenção da identificação do autor do artigo.
Referências
ABREU, Caio Fernando. Dama da noite. In: ABREU, Caio Fernando. Contos completos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
BARTHES, Roland. A morte do autor. In: BARTHES, Roland. O rumor da língua. Trad. Mario Laranjeira. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
BEBER, Bruna. Uma encarnação encarnada em mim: cosmogonias encruzilhadas em Stella do Patrocínio. Rio de Janeiro: José Olympio, 2022.
BENJAMIN, Walter. Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação. Trad. Marcus Vinicius Mazzari. São Paulo: Summus, 1984.
BOTOSO, Altamir. O romance em segunda pessoa: análise estrutural. In: Revista Letras Raras, v. 10, n. 3, 2021. Disponível em: https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/RLR/article/view/1955/1848. Acesso em: 10 janeiro 2025.
BUTLER, Judith. Antigone’s claim: kinship between life and death. New York: Columbia University Press, 2000.
DAVID-MÉNARD, Monique. A vontade das coisas: o animismo e os objetos. Trad. Raquel Camargo. São Paulo: Ubu, 2022.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia. Trad. Luiz Orlandi e Suely Rolnik. São Paulo: Editora 34, 2011.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Trad. Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. São Paulo: Editora 34, 1995.
FOUCAULT, Michel. As ciências humanas. In: FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas. Trad. Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
FOUCAULT, Michel. Os insensatos. In: FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Trad. José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2019.
LACAN, Jacques. O seminário, livro 10: a angústia. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
MARTINS, Leda Maria. A cena em sombras. São Paulo: Perspectiva, 2023.
MARTINS, Leda Maria. Artografias da memória. São Paulo: Perspectiva; Belo Horizonte: Mazza Edições, 1997.
PATROCÍNIO, Stella do. O reino dos bichos e dos animais é o meu nome. Organização e transcrição de Viviane Mosé. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2001.
SODRÉ, Muniz. Pensar Nagô. Rio de Janeiro: Vozes, 2017.
SODRÉ, Muniz. O terreiro e a cidade: a forma social negro-brasileira.