Sonhos na Filosofia Moderna - Descartes e o melão
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Resumo
O artigo defende que há uma função positiva da imaginação no pensamento cartesiano. Para fazê-lo, investiga os restos de procedimentos oníricos presentes, embora ocultos, na obra do filósofo. Busca, assim, recuperar o que Luci Buff denominará aspecto “noturno” na contraparte diurna e luminosa de seu sistema. Tal aspecto aparecerá tanto no método expositivo das Meditações quanto em sua terapia moral desenvolvida sobretudo em sua correspondência com Elisabeth da Boêmia e nas Paixões da Alma. Partindo da narrativa de segunda mão, preparada por Adrien Baillet, dos três sonhos de Descartes ocorridos em 1619, uma curiosa aparição onírica coordenará esta abordagem: a imagem do melão, que indicará a complementaridade esférica entre o sono e a vigília.
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